Descrição de chapéu Governo Lula

Nísia é ovacionada por servidores em despedida no ministério e fala em 'papel histórico' de sua gestão

Ela falou de reconstrução de política públicas do setor e que desejava permanecer no cargo durante os 4 anos do governo Lula

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Brasília

A socióloga Nísia Trindade foi fortemente ovacionada por servidores em cerimônia, realizada nesta quarta-feira (26), que marcou a sua despedida do comando do Ministério da Saúde. Em discurso, ela disse que a sua gestão teve o "papel histórico" de reconstruir as políticas da saúde.

Afirmou ainda que desejava permanecer no cargo durante os 4 anos do governo e se queixou dos dias de indefinição sobre a troca de ministro, mas sem citar o presidente Lula (PT).

"Tivemos esses episódios muito ruins nos últimos 10 dias, não são episódios para serem esquecidos, são para serem analisados. Na vida a gente tem de virar página, não arrancar. Ter o registro da memória, mas seguir em frente", disse Nísia.

A cerimônia de despedida, feita em prédio localizado na Esplanada dos Ministérios que abriga parte da estrutura da Saúde, foi acompanhada por dezenas de servidores. Eles aplaudiram a ministra e disseram, em coro, que Nísia é uma "guerreira da saúde brasileira".

Ao discursar, a ministra também pediu que a equipe da Saúde colabore com o médico e deputado federal Alexandre Padilha (PT), que foi escolhido ao comando da pasta.

O Palácio do Planalto confirmou a mudança no ministério na terça-feira (25), cinco dias após a Folha revelar que o presidente Lula (PT) havia decidido demitir a socióloga Nísia Trindade do comando da pasta. Atual ministro da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), Padilha deve tomar posse no Ministério da Saúde no dia 10 de março.

Uma mulher sorridente está em primeiro plano, levantando as mãos em um gesto de saudação. Ela usa uma blusa marrom e um colar. Atrás dela, há uma multidão de pessoas, algumas aplaudindo e outras segurando celulares para registrar o momento. O ambiente parece ser ao ar livre, com uma entrada de prédio ao fundo.
A socióloga Nísia Trindade durante cerimônia que marcou a sua despedida do Ministério da Saúde. O médico de deputado federal Alexandre Padilha (PT) irá assumir o comando da pasta em março - Pedro Ladeira - 26.fev.25//Folhapress

"Tivemos o papel histórico, como equipe, de reconstruir o Ministério da Saúde, que é esse grande ministério de coordenação do maior sistema universal do mundo, o SUS", disse a ministra ao se despedir dos servidores.

Durante a cerimônia, integrantes da equipe de Nísia leram uma mensagem de despedida e destacaram o fato de ela ter sido a primeira mulher a chefiar o ministério.

"Quando o presidente me convidou [ao cargo], ele disse que era uma convocação. Eu aceitei para fazer o que fiz. Minha meta era ficar os quatro anos, mas faz parte da avaliação política do presidente saber o momento [da troca de ministro]", afirmou ainda a ministra.

A gestão de Nísia vinha sendo alvo de queixas de integrantes do Congresso, de membros do Palácio do Planalto e do próprio presidente, que chegou a fazer cobranças pela falta de uma marca forte na área. À frente da pasta, ela enfrentou uma sequência de crises, como por exemplo, a explosão de casos de dengue e a falta de alguns modelos de medicamentos e vacinas em todo o país.

Já aliados da ministra afirmam que a gestão de Nísia retomou políticas públicas e ampliou coberturas vacinais. Em 2024, o Brasil foi recertificado pela Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) pela eliminação de sarampo, rubéola e síndrome da rubéola congênita.

A mudança de Nísia ocorre num momento de baixa popularidade do governo federal. Há uma avaliação no Palácio do Planalto de que, nesse contexto, a pasta da Saúde tem potencial para apresentar e implementar políticas públicas de maior visibilidade, entre eles o Mais Acesso a Especialistas.

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